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Roberta Bento

Hipersensibilidade dentinária: por que alguns dentes doem com frio?

Se você já sentiu um “choque” no dente ao tomar algo gelado ou ao escovar os dentes, sabe como essa sensação pode ser desconfortável. Muitas pessoas descrevem essa dor como algo rápido e intenso, que aparece de repente e desaparece em poucos segundos.

Esse tipo de dor pode estar relacionado à hipersensibilidade dentinária, uma condição caracterizada por dor aguda, provocada e de curta duração, geralmente desencadeada por estímulos térmicos, químicos ou táteis. 

Apesar de ser uma queixa comum, é importante entender que nem toda sensibilidade é hipersensibilidade dentinária.

Antes de tudo: é preciso fazer diagnóstico

Na odontologia, a hipersensibilidade dentinária é considerada um diagnóstico de exclusão.

Isso significa que, antes de confirmar esse diagnóstico, o dentista precisa descartar outras possíveis causas de dor, como:

  • cárie
  • inflamação pulpar
  • restaurações fraturadas ou infiltradas
  • sensibilidade pós-operatória
  • inflamações gengivais

Somente após essa investigação clínica é possível concluir que a dor está relacionada à exposição da dentina. 

Por que a dentina exposta causa dor?

A explicação m dentina exposta causa dor? ais aceita é a teoria hidrodinâmica, proposta por Brännström.

A dentina possui pequenos canais microscópicos chamados túbulos dentinários. Quando esses túbulos ficam expostos, estímulos como frio, calor, ar, alimentos doces ou até o toque de uma sonda podem provocar a movimentação de fluido dentro desses canais.

Essa movimentação estimula terminações nervosas próximas à polpa dental e gera a sensação de dor. 

Por que a dentina fica exposta?

A exposição da dentina pode ocorrer por diferentes motivos. Entre os mais comuns estão:

  • recessão gengival
  • erosão causada por ácidos
  • abrasão por escovação traumática
  • desgaste dentário
  • lesões cervicais não cariosas

A região cervical do dente — próxima à gengiva — costuma ser mais suscetível, pois o esmalte nessa área é naturalmente mais fino e permeável. 

Em alguns casos, a sensibilidade pode surgir antes mesmo de existir uma recessão gengival visível.

Um problema com múltiplas causas

A hipersensibilidade dentinária raramente tem uma causa única.

Na maioria das vezes, ela é resultado da interação entre diferentes fatores, como:

  • dieta ácida (refrigerantes, bebidas gaseificadas, cítricos)
  • escovação com força excessiva
  • dentifrícios muito abrasivos
  • bruxismo ou apertamento dental
  • refluxo ou problemas gástricos
  • boca seca ou uso de alguns medicamentos

Esses fatores podem atuar em conjunto e favorecer o desgaste do esmalte e a exposição da dentina. 

Existe cura para a hipersensibilidade dentinária?

Na maioria das vezes, não falamos em cura definitiva, mas em controle da condição.

Isso acontece porque a sensibilidade está diretamente relacionada aos hábitos e ao ambiente bucal do paciente.

O tratamento normalmente envolve:

  • identificação dos fatores causais
  • mudanças de hábitos
  • orientação de higiene bucal
  • controle dietético
  • uso de agentes dessensibilizantes
  • aplicação de substâncias que ajudam a vedar os túbulos dentinários
  • laserterapia

Entre os recursos utilizados estão agentes neurais, como nitrato de potássio, substâncias obliteradoras dos túbulos e, em alguns casos, terapias a laser. 

O papel do acompanhamento

O manejo da hipersensibilidade dentinária costuma ser um processo contínuo.

Ele depende de diagnóstico correto, acompanhamento clínico e participação ativa do paciente, especialmente na modificação de hábitos que contribuíram para o problema.

Mais do que aliviar a dor momentânea, o objetivo do tratamento é entender por que aquela sensibilidade apareceu e criar estratégias para controlá-la ao longo do tempo.

Na odontologia, compreender a causa de um sintoma é sempre mais importante do que apenas silenciar a dor.

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